

Apetece-me sair da carruagem e ir ao seu encontro, sentar-me de longe a vê-lo desarear tesouros. Imagino que o faço. Que te dou conta das mãos sujas a revolver salvados de tantos naufrágios. O pássaro morto em voo enquanto procurava escapar ao outono, as penas de gaivota tombadas num asseio de ave a auspiciar escritas e desenhos, a sandália de plástico cor de rosa semi-enterrada, moldada a um pé inexistente, a lata de sumo vazia e amolgada, comprada numa tarde de sol para acompanhar uma sandes de mortadela, o gancho de cabelo perdido depois do beijo, quando num assomo de coragem ele a convidou a vir ver o mar, a garrafa verde de vinho, que idealizo de Rum, pertença do pirata Rackam, o Terrivel,pousada entre as rochas num passeio clandestino pelas margens do Tejo, a espuma a secar em riscos na praia. O comboio caminha terra dentro, a grande velocidade. E o mar vai ficando para trás...

Gosto do "respigador de marés".
ResponderEliminarÉ uma imagem bem bonita. As ilustrações também me parecem adequadas. Um respigador será sempre mais monocolor.
olá olá
ResponderEliminargosto muito desta parceria!